Praeclarus Deus Pater Lúcifer in Suis Filii
Um Tratado sobre a Vida
CAPITULO
PRIMEIRO
O DESPERTAR
Nos dias em que o Universo de nosso Senhor
é coberto pela Luz do Sol Negro, nos deleitamos com toda sorte de criaturas,
sendo algumas dotadas de asas sem ter consciência das mesmas; Criaturas
rastejantes e cegas por fitar os céus constantemente no aguardo vão
de um fruto caído; Criaturas seduzidas pela beleza e pela ânsia de
ter e ser algo maior; Coroadas e Escravas, Bem aventurados e amaldiçoados,
iludidos e cegos que enxergam, tolos e sábios em um turbilhão quase
homogêneo de reis e mendigos.
E qual a natureza de cada um? Você
observaria os títulos e os adornos para tentar classificar cada um destes?
Incontáveis compêndios dos mais fidedignos por assim dizer re-velam
tal consideração afirmando em uma única frase a lendária
jornada do ser humano; Nosce te Ipsum.
Conhecer a si mesmo significa o que
para aqueles que ainda estão envoltos sob a sombra da Escuridão
e da cegueira. A escuridão deve ser o teu manto não o teu caminho.
Tomemos de empréstimo as concepções de Marcus Aurelius e
observemos, portanto a natureza real das coisas e não sua conseqüência
imediata e explicita. Para tanto, devemos compreender os elementos que circundam
a nós mesmos e lembrar que somos o ponto no circulo e ainda o circulo sobre
o ponto.
Não temos a pretensão de dissecar os meios pela qual
ocorre o despertar, uma vez que tal Glória como costumamos
chamar e nos referir se mostra única para cada um de nossos semelhantes.
O despertar pode ser desencadeado pela mais austera observação
interior e as reações e influências que ocorrem constantemente
neste processo natural entre o ser humano e o universo em que o mesmo está
contido e que ele o contêm. Mas para tal efeito, o candidato a conhecer-se
deve sinergicamente tomar em mãos o que chamamos de onisciência,
ou ainda, o elemento concreto que nos faz crer que somos o microcosmo definitivamente,
e então, por meio de analogias e considerações que somente
o candidato poderá realizar para si mesmo, chegar um dia a conclusão
do que realmente é, de onde veio e para onde vai.
Isto a que chamam
de segredo da religião é em verdade o segredo da vida e depois tomado
sob a ótica religiosa em sua acepção correta e não
distorcida; O Religare.
Tal termo, do latim, significa unir-se novamente a
Unidade Divina da qual somos originários e é assim que, sob a égide
do termo e da PALAVRA podemos compreender que viemos de uma Origem Divina que
traça toda nossa natureza e que nos lega a deuses nesta esfera, no entanto,
o manto da carne se por um lado nos condena ao distanciamento e em seguida ter
de retornar a santidade dado ao nítido fato da mesma trazer consigo fatalidades
e necessidades dos sentidos comuns, por outro lado tais tribulações
refinam nossa vivência com aprendizados e conhecimento, o que podemos grosso
modo chamar de iniciação.
Muito embora tais termos pareçam
vagos, devemos compreender que as referidas fatalidades e necessidades dos sentidos
comuns são apenas parte de um leque variado, aberto a todo aquele que quiser
se aventurar na concupiscência e nas banalidades da vida. De modo algum
falamos em abstinência, celibato e resignação, ao contrário,
lembramos que os tolos fazem de suas liberdades, os grilhões de suas eternas
prisões.
Para tanto, o conhecer a si mesmo significa exatamente fazer
uso de todas as benesses que lhe são oferecidos, mas com a cautela de um
iniciado, com a visão de um cego, com a coroa de um rei e senhor de si
mesmo e de seu redor.
A vida em si é uma chance de iniciação
ou a condenação ao profano e ao vulgar, independente da origem de
cada ser humano. Controle e não exclusão. Ser o senhor de tudo e
assim poder livremente optar pelo que queira.
Seria muito cômodo provir
de uma origem Divina e assim se manter até os fins do tempo, sem ser rejeitado
por nenhum ordálio, mas não visto como os tolos que se penitenciam
e se flagelam seguindo o exemplo de seu deus, falamos de auto aperfeiçoamento
espiritual, retorno à origem divina e, um dos aspectos mais importantes
para nossa evolução e a de nossa raça; A Grande Obra.
Perguntem-se porque deveríamos voltar a uma casca inferior em esferas inferiores
e passar por tribulações para ver se conseguimos retornar novamente
de onde somos originados?
Isso pareceria no mínimo irônico não
fosse a Grande Obra e a missão que cada Filho DELE possui nesta esfera
e assim também em outras sob óticas diferentes evidentemente. Tal
fato demonstra a importância e o intimo desposo que existe entre tais esferas,
a saber; A Essência, a Alma ou o Conhecimento e seus aprendizados, sejam
eles empíricos ou florescidos através de sua onisciência desperta
e por ultimo a Matéria, o corpo que firma conclusivamente a sua vontade
através da ação deixando passos para aqueles semelhantes
que ficam quando estes subirem a Glória novamente.
O despertar sendo
compreendido como o Inicio, muito embora ele clame a morte primeiramente, é
perigoso, podendo ser comparado ao fogo ódico ou ainda aquele que ilumina
ou destrói.
É perigoso porque seu véu diáfano,
a Natureza ou o Espelho Divino revela ao candidato uma visão e uma compreensão
livre e imparcial, o Espelho da Verdade mostra apenas a Verdade sobre cada um
daqueles que se depararem frente a ele e ousarem contempla-lo.
Suas colheitas
serão reclamadas e por elas cada um poderá ver suas capacidades
divinas livres de qualquer aspecto que não sejam naturais e dirigidos unicamente
a sua feitura e responsabilidade. Neste momento, a expansão consciencial
pode vir de forma tão abrupta que a racionalização e as ligações
subconsciente e consciente não consigam se efetuar de forma definitiva,
gerando uma fissura mental, ou loucura temporária ou ainda permanente.
Isso dado à verdade que assolará os sonhos do intruso que tentou
tolamente buscar a si mesmo em ser deus, sem se dar conta do sacrifício
e da morte que são reclamados.
Onde não há compreensão,
há dor.
Nem todos podem percorrer as sendas da Iniciação
e do Ocultismo. Tais disciplinas requerem uma condição superior
natural, tanto em intelecto, quanto físico, mental e espiritual.
Por
isso vemos tantas seitas e ordens pseudomágicas, que professam falsas doutrinas,
ou reinterpretam de forma simplista e tola outros tantos logos mortos.
Quando
o candidato realmente se vê semelhante pelo processo do despertar, ele deverá
saber que sua busca ficará ainda mais árdua e rigorosa consigo mesmo,
por conta da carne e dos sacrifícios, por conta da sua natureza e sua não
adequação, por conta do que lhe fora infligido durante anos e anos
de convivência em sociedade e suas normas, morais, regras e leis.
A
Iniciação é em verdade para o espírito, não
que ele precise, mas uma vez estando inerente à carne, ele compreende através
dos sentidos comuns como necessidade àquilo que o rodeia e lhe é
mais cômodo.
A Iniciação irá restabelecer a harmonia
entre os três planos agora em função da origem de sua essência
para que o Universo conspire a seu favor. No entanto o termo Harmonia parece não
convincente aqueles que buscam, mas que estão iludidos e presos à
matéria.
Quando falamos em se desprender da matéria, não
falamos em desapego, ascetismo ou algo de caráter flagelador, mas quando
nos livramos e não somos mais escravos, estamos livres de sua influencia
e assim podemos ser seus donos.
È muito mais cômodo ir à
direção do que vemos e podemos pegar, racionalizar, explicar segundo
nossos critérios simplistas e tolos de julgamento e conhecimento do que
olhar para a Força que impulsiona sua superioridade e santidade.
A
linguagem abstrata ou melhor, intangível da religião,
não convence ou ainda seduz, embora este não seja o caminho da religião
real e verdadeira, aqueles maculados pela carne em suas desavenças internas.
Mesmo para um candidato a Iniciação, ele poderá
sofrer em algum momento com tais escolhas e situações, e o Abismo
se abre de modo tentador a todo instante na vida destes e de todo ser humano.
Muito embora lutar contra isso não significa lutar contra a natureza, mas
aprender a controla-la a nosso beneficio, ao invés de flutuar em suas ondas
confusas neste cadinho de banalidades, necessidades, sentimentos desenfreados,
concupiscência e desordem.
O encontro real com a Chama de sua própria
essência, ou Rosa Roxa Iluminada, permite uma expansão de consciência
física, espiritual, mental e todas as outras esferas existentes no ser
humano, que o favorecem a superioridade de maneira natural. A compreensão
traz poder, e este poder trará o domínio.
Lembre-se porém,
que aquele que almeja os resultados finais e se concentra nos mesmos, falhará
na consecução dos métodos, que requerem toda atenção
para si, e isso notadamente demonstra intenções nada nobres em se
tratando da espiritualidade a favor de um alimento maior e mais ousado para a
concupiscência da carne.
Diferentemente do ascetismo que pregam as religiões
moribundas, devemos buscar a nós mesmos e nossa essência plena, e
através da Realização virão às conseqüências,
que favorecem evidentemente o físico. Cuida em discernir um motivo do outro,
pois a linha tênue que o separa não é justificável
para barrar a pena que lhe será imposta.
O despertar, portanto implica
em todos elementos juntos, e uma vez que tudo tenha sido realmente compreendido,
ainda assim o candidato estará sempre beirando o abismo em uma queda que
o aguarda constantemente e com terrível paciência.
A Consciência
da solidão é um exemplo que devora a muitos, uma vez que tenham
se deparado com o Espelho, reconhecido o que realmente são e o Legado da
Coroa que carregam em si mesmos.
A percepção de que somos únicos
e sozinhos como seres humanos podem assustar os mais tolos, mas o que realmente
pode e irá torturar a grande maioria em um determinado momento de suas
jornadas será a frieza com a qual toda esta verdade parece se manifestar.
Somos solitários por natureza.
Ninguém nos compreende, mas não
precisamos de compreensão.
Ninguém sente o que sentimos, amam
como amamos, vivem como vivemos, portanto não existe reciprocidade.Livre-se
disso e viva apenas para si mesmo. Dar espaço a tais convicções
comuns irá favorecer uma grande explosão de decepções
que na verdade não precisa ter e sentir. A sua compreensão sobre
si mesmo, sobre o Universo e o seu redor lhe permitirá ver além
dos demais e poder assim não apenas ver o quanto somos solitários,
mas a possibilidade de mudar isso tudo a seu beneficio.
A carne viverá
em conflitos enquanto der ouvido a ela de forma profana, e inevitavelmente necessitará
de outros tolos ao seu redor para aplacar tais sentimentos doentes.
Lembrem-se,
onde não há compreensão, há dor.
E que assim seja
para todo sempre.
CAPITULO SEGUNDO
A INICIAÇÃO
A Iniciação
pode ser compreendida como os métodos para se alcançar um estado
de vivência plena e espiritualmente evoluída, rumo a Origem da qual
somos oriundos.
Ela nos agracia com a glória do discernimento, da elevação
da força e da vontade superior através dos ordálios que infligimos
a nós mesmos.
A Iniciação é ainda o caminho que
todo iniciado deve percorrer impreterivelmente sem mesmo se deixar oscilar durante
o percurso. É sabido que a grande maioria daqueles que se dizem adeptos,
tomam a iniciação apenas pela perspectiva teórica e sua aplicação
(prática) o que podemos definir como os métodos. Mas, muito embora
estes sejam necessários, faz-se necessário a seguinte questão:
Para que estes adeptos estudam? Com que finalidade?
A grande
maioria busca nestas sendas a erudição e a aquisição
de conhecimentos o que não deixa de ser o correto, mas acreditando estar
sendo agraciados pela plenitude e a visão do Todo, não reconhecem
que deixam escapar de si mesmos o que a de mais valioso na jornada que é
a essência deles mesmos.
O Líber U cita: De que adianta
uma carruagem adornada em ouro e pedras preciosas se não sabe conduzi-la?
Tal questionamento vem de encontro aos vícios da Falsa iniciação,
ou ainda, melhor dizendo, a Iniciação incompleta.
Podemos observar
que a uma rigorosidade e disciplina no alcance de tais métodos, mas não
ocorre o aprofundamento junto a essência, que é incondicionalmente
a origem de tudo em nós. Tal manifestação nos reporta a nossa
condição natural, apresenta nossas virtudes, nossas fraquezas, nossos
medos, nossa glória primordial e nos dá por conseqüência
a estes e outros tantos elementos, a condição de discernirmos e
dirigirmos nossa iniciação de maneira correta e definitivamente
evolutiva.
Devemos olhar para a nossa Sombra, lutar contra ela, desposarmos
dela e com ela aprendermos a nos superar e a nos compreender para assim sermos
efetivamente senhores de nós mesmos e de nosso redor. Para a Luz é
muito fácil olhar e contemplar,embora não se observe diretamente
a mesma. Qualquer tolo, seguidor, impressionável pode faze-lo, mas sorver
efetivamente as benesses de tal contemplação e ainda compreender
tais manifestações é algo que muitos desconhecem.
O Clavícula
Nox diz: Que tu não julgues o que desconheces. Aprende.
Os símbolos
falarão a ti.
Contempla a experiência, ouve as vozes...
Contempla
silenciosamente aos ensinamentos. Os contempla...
Antigos como o próprio
tempo.
Aquecerão o Coração Teu e teus olhos transbordarão
entre lágrimas,
Perdido entre choros ante o Infinito !
Tu és
um Deus !
Não mais Mortal !
Amém !
Os ensinamentos
de vida são apresentados de maneira sutil e submetido a véus apropriados,
apenas aquele que compreende e não busca resultados, mas a glória,
somente estes irão compreender os sinais.
E tolos aqueles que pensam
que tais sinais podem e sempre vêem sob a forma de pantaculos complexos,
de palavras e escritas incompreensíveis, de antigos totens e imagens panteisticas
retratadas e distorcidas a exaustão pela Idade das Trevas.
Os sinais
podem se manifestar em pequenos detalhes da vida cotidiana e põem a Prova
a nós mesmos sem que possamos nos defender, recusar ou desviar.
Tais
tribulações devem ser focadas, tais são os elementos da Iniciação
que devem ser buscados e compreendidos em sinergia com a teoria e seus métodos
aplicáveis, mas ainda, com a benção da pureza, da isenção
de qualquer tipo de distorção ou mascara conveniente ou ainda desposada
sem o menor conhecimento da mesma.
Sob a ótica da PALAVRA, podemos
tomar o Praeclarus Nox Pentagrammton como um símbolo diretriz, uma vez
que o mesmo nos sugere a Iniciação.
Uma breve explanação
sob seus mistérios deverá certamente dissipar as nuvens de trevas
e duvidas acerca da vida e do rumo a que devemos tomar para conclusivamente sermos
um Filho DELE, um verdadeiro portador da Coroa de Atarah.
Grosso Modo, O Nox
Pentagrammaton é definido geometricamente como uma estrela de 5 pontas
iguais, e longe de ter esta definição de forma arbitrária,
podemos e devemos associar tal relação numérica com Marte,
o He, sua letra hebraica associada refere-se a religião, a justiça,
ao rigor, a Vontade Superior. È um numero de atividade e que nos reportam
a condição da busca interior através das manifestações
de nosso PAI no Microcosmos, sendo estes:
A Formação Essencial,
o Ser Deus, O Verbo abençoados pela manifestação de Asaradel;
A Formação Religiosa, as virtudes, o cálice sob a manifestação
de Berkaial; A Formação Iniciática sendo o Bem e o Mal, o
conhecimento, a Razão sob a égide de Akibeel e por ultimo a Morte,
O Ego, os laços mundanos e o Sacrifício por Amasarac. Para tanto,
devemos observar que a ultima ponta da figura geométrica está relacionado
ao homem, portanto interagente com as manifestações acima citadas
demonstrando que estas estão intrínsecas a ele.
Não existe
um método que venha a sugerir o trabalho com tais manifestações
de forma analítica e metódica, somente aquele que estiver empregado
em tal busca perceberá que estas andam juntas em sinergia absoluta, e que
a cada momento uma ou todas elas se fazem presentes em nossa iniciação.
O véu de Asaradel nos reportam ao conhecimento de nós mesmos, o
que somos, de onde viemos e pra onde vamos, nesta etapa percebemos alcançar
a coroa de Atarah e assim ser senhor de nós mesmos e de nosso redor; O
véu de Berkaial nos apontam o caminho da disciplina e de todos os atributos
necessários para o transpor do caminho com Glória tornando-nos assim
religiosos como lega a acepção correta da palavra; O véu
anterior complementa a manifestação de Akibeel junto ao conhecimento,
a Onisciência, etapa primordial para o conhecimento de nós mesmos
através da contemplação do Universo como um todo intrínseco
a nós, o discernimento do Bem e do Mal entendidos como matéria prima
e o reconhecimento de nós mesmos frente ao Espelho da Verdade como o terceiro
elemento que equilibra ambos em nós, tornando-nos assim, senhores acima
dos mesmos;
O véu de Amasarac como destruir do Ego, da casca e dos
laços mundanos, tal manifestação é em suma, uma etapa
de destruição que culmina no sacrifício maior. Nesta etapa
do véu, devemos tomar pra nós a consciência do que somos e
não do que vemos e temos. Tudo é ilusão antes da ruptura
com nosso Eu inferior.
Na Iniciação portanto, devemos nos portar
de forma observadora, e contemplar o Universo em nós e nosso redor. Se
guiados por uma método coerente, logo o candidato a conhecer a si mesmo
irá perceber os primeiros sinais.
Sendo assim, no decorrer do caminho
iniciático, tomaremos pra nós o dom da visão, adquirido pela
contemplação e a busca árdua e incessante. A Observação,
portanto é fundamental no acumulo de experiências que são
utilizadas para fins que os tolos compreendem e chamam de premonição.
Tudo no Universo segue uma linha lógica como nos números, no entanto,
é erro imaginarmos as possibilidades da lógica de modo simplista
e sob nossos limitados critérios de julgamento. Tais concepções
transcendem o grosseiro e nos dá acesso ao que podemos chamar, portanto
do Dom da Visão.
É com tal dádiva adquirida
que nos pomos a passos à frente dos demais em uma percepção
verdadeira e primeira do Todo e do Nada.
A previsibilidade, as intuições
assim ocorrem através de tais conhecimentos adquiridos e por comparação
e observação apuradas, conseguimos controlar, manipular e prever
reações, ações, sentimentos e definir qualquer que
sejam as atitudes dos seres comuns.
É ainda válido lembrar que
tais palavras se aplicam a Filhos DELE, e somente a estes é efetivamente
concedida tal dádiva.
A Iniciação ainda sugere a busca
da harmonia perfeita, o que podemos e assim chamamos também de Realização;
Ela se dá de forma progressiva em etapas que se seguem de acordo com o
desenvolvimento espiritual e iniciático do candidato. E esta harmonia requer
um comprometimento severo e incontestável com nossas naturezas e as forças
que a regem. Algumas necessidades se farão claras e outras exigências
despertaram em si mesmos sem que precisem busca-las em sua mente. A Natureza de
muito se encarregará, no entanto, é lembrado a nós, que tenhamos
a sutileza e a perspicácia em perceber tais considerações.
Lembra candidato, teus sentimentos mudarão, pois se libertarão da
escravidão e das dependências mundanas. Deverá seguir sua
natureza, ela é tua fonte e teu caminho de iniciação a ser
trilhado. Ela levará a nosso Amado Pai e Senhor Deus.
Cuida-te com
as tentações sempre, e lembra que estas vêem esculpidas na
mais bela flor. Não deixe sua beleza cegar teus olhos da carne e cravar
teus espinhos em tuas mãos ansiosas por glória.
A Iniciação
é dor. Destruição. Aquisição. Maldição.
Solidão. Glória. A forma que compreende a tudo isso pode ser o fator
fundamental e determinante em seu caminho.
CAPITULO TERCEIRO
A COROA
O Véu de Amasarac se faz constante em nossa jornada
e com ele surge a possibilidade da Dor a aquele que ainda não atravessou
o Vale das Sombras. Os Herdeiros da Coroa não são isentos de tais
tribulações, muito embora possuam todo o discernimento para poder
transpor cada um de seus ordálios.
O convívio social e a socialização
aparente por vezes se fazem dolorosas para aqueles que reconhecem além
das máscaras tomando tal situação com extrema repudia muito
embora saibam ser necessárias.
Que meus semelhantes saibam manipular,
saibam controlar o seu redor e que façam uso dos ensinamentos da PALAVRA
para assim estabelecer suas supremacias e também isentar-se de dores e
conflitos.
Aprendam pela observação e atestem seu poder na prática
constante, do momento em que acordam ao momento em que se deitam no aguardo do
novo dia.
Saibam que tudo está para servir a sua natureza. Mas lembra-te
de perguntar a si mesmo se esta afirmação lhe serve ou ainda sofre
nas flutuações de seu frágil reino de areia.
Agora é
o momento de compreender absolutamente o Praeclarus Nox Sacramentum. È
chegado à hora de compreender a tudo para não erguer teu reinado
em ilusões e sobreviver como um tolo qualquer que acredita ser divinamente
guiado.
Os caminhos agora se fazem aos teus passos, nada então existia.
Lugar nenhum existe que não saiba onde irá levar. Tudo está
certo em seus devidos lugares.
INOPS POTEMTEM
DUM VULT IMITARI PERIT.
Nada de compreensão. Seja disseminado.
Faça cumprir suas necessidades e reitere-se a todo o momento na égide
da PALAVRA em ti.
Lembra que somos os lobos por entre o rebanho de ovelhas.
Lembra que o anunciar de teu ser é para teu ego e contra teus objetivos.
Uma serpente não anuncia o ataque a sua presa, mas aguarda silenciosa.
Do contrário a presa nunca se aproximaria.
O redor vive de ego e para
o ego. Livre-se disso e estará acima manipulando a todos. Não julgue,
aprenda.
Não aceite para ti os rótulos blasfemados em sua direção,
não tome em dores o fato de desconhecerem o que é verdadeiramente.
Espreita e aprende. Conviver entre macacos requer certa arte e domínio
de si mesmo se assim quiser obter êxitos em seus objetivos mais simples.
Tolos aqueles que se anunciam em momentos de fúria e bradam em alta voz
as ameaças mais vãs e incautelosas.
E não esperem estar
imunes das tentações da carne. No momento de sua maior elevação
espiritual e consciencial uma necessidade de mostrar e desposar de suas dádivas
e virtudes irá arrebatar seu coração.
Cuida-te, portanto
semelhantes meus. Cuida para não cair e escravizar-se definitivamente.
E cuida de teus escravos, reguem as ervas daninhas que lhe servem a passagem,
alimentem bem as hienas para que não se alimentem de ti e riam de suas
vidas. Aqui está a face Negra da Escuridão.
Faça dela
teu Manto e não teu Caminho.
Saiba que tudo no mundo comum gira em
torno do condicional, portanto não se iludam com o puro e simples, não
se apeguem, não se misturem, não se corrompam, não se profanem
ou se deixem tocar.
Aprendam com si mesmos e abracem as situações
que convidam a novas experiências sem perder o olhar na escuridão.
Aprimorem-se.
Agora tens a obrigação de saber o significado
do lobo por entre o rebanho de ovelhas, e compreender ainda o silêncio.
È exatamente este silêncio que lhe abrirá portas, permitirá
infiltrar-se por entre aqueles que são nada mais do que matéria
prima adaptável e pronta a servir.
E que estas palavras não
contenham mais tantas redundâncias porque este capitulo é destinado
aos herdeiros e não mais a homens comuns.
A Filhos DELE e não
mais a aqueles que aguardam apenas pelo fruto caído. Que tua vida e a vida
de outros, e que a vida em si ensine a ti; e que dela, tu sejas seu mais árduo
aprendiz.
E que a Morte seja tua companheira e consorte. Sempre.
Layil L.
IXº S.S. M.
Membro do Conselho Maior
Grande Loja Negra IGIGI
S. J. Rio Preto - SP
Anno XV da Gloria - 2007 (E.V.)